Minha experiência com o ferreomodelismo me ensinou uma coisa muito importante: quando se quer que a maquete possua identidade, é necessário colocar a mão na massa e produzir, manualmente, os detalhes e elementos que vão tirar a maquete do espaço comum e leva-la para o âmbito da exclusividade.

Depois de comprar algumas estações de alguns fabricantes, e mesmo modificando as miniaturas, ainda sim estaremos em um lugar comum. Quando modelamos uma ferrovia em específico, com cenários específicos ou trechos específicos, é necessário, então, reproduzir o que desejamos tal como é na realidade.
O ferreomodelismo permite estas possibilidades, basta um pouco de prática e paciência. E paciência foi um ingrediente importante para modelar aspectos da Estrada de Ferro Vitória a Minas, ferrovia que escolhi modelar em escala HO
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A principal estação de minha maquete é uma reprodução da estação ferroviária de Resplendor, localizada no quilômetro da EFVM.
Para construção da estação, além de fotos, uma visita foi fundamental para aferir algumas medidas e verificar as vistas cujas fotos não me possibilitaram. Munido das fotografias e das informações, dei início ao projeto.
A ideia foi construir o modelo todo em estireno, usando para isso placas de 1mm, 0,50mm e 0,30mm de espessura.

O desenho da planta da estação em escala HO foi feito no CorelDraw, logo em seguida, impresso em papel comum. A vantagem desta técnica é que, quando imprimimos um desenho em escala, não é necessário passar horas desenhando os locais a serem cortados no plástico, o que dificulta, e muito, o trabalho.

Com auxílio de uma fita crepe, colei os desenhos sobre o estireno e comecei a cortar as fachadas do prédio. Para isso, utilizei bisturi cirúrgico de aço inoxidável e lâminas de aço carbono nº 11, encontrados em lojas cirúrgicas.
É importante colocar algo macio por baixo do estireno, como uma folha de cortiça, uma madeira macia ou, até mesmo, outra placa de estireno. Isso evita que a lâmina perca o corte da primeira vez em que tocar uma superfície mais dura que seu fio de corte.
Após cortas todas as faces, com portas e janelas, foi a vez de ornamentar as fachadas. É comum em construções do século passado alguns tipos de adornos nestes prédios. Eu optei por fazer estes adornos antes de unir as partes.
Para adornar as fachadas, usei camadas de estireno 0,30mm e 0,50mm sobrepostas. Isso deu efeito desejado de acabamento na borda da fachada, rente ao telhado.
Para conferir resistência ao projeto, corte algumas paredes internas que foram distribuídas para firmar as paredes, que são bem longas. Nestas paredes internas, previ o apoio para o telhado.
O telhado é do modelo cerâmico comercializado, na época, pela Frateschi. Para este projeto foram usadas seis peças.
Para pintura foram utilizados esmaltes automotivos Duxone vermelho Anhambi e para a parte clara, usei uma mistura de branco geada, amarelo ypê e marrom tabaco.
A título de curiosidade, a estação de Resplendor foi inaugurada em 1908. Segundo Ralph Mennucci Giesbrecht, a cidade, na época, distrito de Caratinga, nasceu no entorno da estação da Vitória a Minas.
Use a planta da Estação para construí-la em HO. O desenho já está nas medidas corretas, basta imprimir em papel tamanho A2.

Belíssimo trabalho…eu diria magnífico. Ferromodelismo é realmente isso “trazer vida” reproduzir a história de nossas ferrovias. Aliás sempre digo.. atrás de um vagão têm uma história.. vc está de parabéns.. abraços.
Parabenizo a vc pela dedicação e determinação pelo empenho no desenvolvimento desse projeto. Além do mais, agradeço pela divulgação da planta. Que Deus continue abençoando vc em seus trabalhos.